Mulheres indígenas na linha de frente pela defesa dos territórios, dos rios e da vida coletiva

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Mulheres indígenas na linha de frente pela defesa dos territórios

Por Amanda Santana

As mulheres indígenas desempenham um papel essencial na sustentação da vida no planeta. Através de seus conhecimentos ancestrais, da transmissão de suas línguas e da defesa permanente de seus territórios, elas atuam na linha de frente diante das crises ambientais que ameaçam o equilíbrio da Terra e o futuro da humanidade. 

Conscientes de que o futuro se constrói no presente, as mulheres indígenas do Brasil têm se articulado e ocupado espaços para além de suas aldeias. Com coragem e determinação, mostram ao mundo que o lugar da mulher é onde ela quiser e onde ela julgar necessário estar, seja para expressar sua arte, compartilhar seus saberes ou defender os direitos de seus povos. 

Na Tucum, todos os dias celebramos, honramos e apoiamos a resistência das mulheres indígenas. Acreditamos que a autonomia financeira gerada pela venda de suas artes é uma ferramenta poderosa para ampliar o acesso a uma vida mais digna e justa para elas e para suas comunidades. 

PROTAGONISMO NA LUTA: 

Ao receber o prêmio Goldman de Ambientalismo, Alessandra Korap Munduruku retoma sua fala forte e certeira para cobrar as demarcações dos territórios indígenas, como fez no Acampamento Terra Livre 2022. Foto: Mídia NINJA
 

 

No dia 22 de janeiro, cerca de 2 mil indígenas de 14 povos estiveram à frente de um importante movimento de mobilização pela revogação do Decreto nº 12.600, que levou à ocupação do terminal da Cargill em Santarém, no Pará. O decreto, publicado pelo governo federal em 2025, tinha como objetivo incluir grandes trechos dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira, importantes cursos de água da Amazônia, no Programa Nacional de Desestatização. 

 

Na prática, essa medida abriria caminho para a implementação de hidrovias com dragagem e uso comercial intensivo, atraindo empresas privadas para “modernizar” o transporte fluvial e facilitar o escoamento de commodities agrícolas, especialmente soja. Para os povos indígenas da região, isso significava o risco de transformar rios vivos, que sustentam modos de vida, culturas e espiritualidades, em simples corredores logísticos do agronegócio. 

O protagonismo das mulheres indígenas foi decisivo para a revogação do decreto. Elas estiveram na linha de frente da articulação política, da comunicação do movimento e da própria ocupação do terminal da Cargill em Santarém. 

Alessandra Munduruku liderou ato em Santarém (PA) contra Cargill e Ferrogrão: ‘trilhos da destruição’ | Crédito: Leandro Barbosa/Amazon Watch 

 

Para Alessandra Korap Munduruku, uma das vozes mais reconhecidas do movimento indígena no Brasil, a ocupação foi uma estratégia legítima de luta para impedir que os rios Tapajós, Madeira e Tocantins fossem transformados em rotas do agronegócio sem respeito aos povos que vivem nesses territórios. Sua atuação foi fundamental para denunciar o decreto, mobilizar comunidades e dar visibilidade nacional e internacional à luta. 

 

Outra liderança central nesse processo foi Auricélia Arapiun, do povo Arapiun, que também participou da articulação política e das negociações em Brasília durante o processo que levou à revogação do decreto. 

Essas mulheres expressam uma característica marcante do movimento indígena contemporâneo: a força das lideranças femininas na defesa dos territórios, dos rios e da vida coletiva. Elas não apenas participaram da mobilização, mas ajudaram a organizá-la e sustentá-la ao longo de semanas, reunindo quase dois mil indígenas de diversas etnias do Baixo Tapajós até que o governo federal revogasse o decreto. 

 

BELEZA COMO RESISTÊNCIA 

Artesãs Kayapó | Foto: Meprodja

Em suas expressões culturais, nos adornos de sementes, miçangas ou penas, no tecer paciente de uma cesta e nas pinturas de urucum e jenipapo que carregam na pele, as mulheres indígenas e seus povos nos lembram que a beleza é fundamental. A estética indígena nasce de profundas conexões com os seres visíveis e invisíveis que coabitam este planeta. 

 

Ao navegar pela plataforma da Tucum, é possível viajar através dessas artes e acessar a diversidade de criações que manifestam a identidade de cada povo. Uma identidade cultural que, graças às mulheres mestras e sabedoras de cada comunidade, permanece viva, sendo continuamente materializada e transmitida às novas gerações. 

Kamihi Waurá
 

Mais do que cestos, pulseiras, telas ou bancos, são peças que carregam cosmologias inteiras e conectam mundos. 

 

Artesãs ribeirinhas da Associação Tramas e cores | Foto: DzawiFilmes

 

Para nós da Tucum, uma equipe formada majoritariamente por mulheres, caminhar ao lado delas, seja na parceria comercial, no apoio à estruturação de seus negócios ou no front das mobilizações, é sempre um privilégio e uma honra. 

 
Com elas aprendemos todos os dias a sermos mulheres mais fortes e também mais belas.
Confira a curadoria de artes feitas por mulheres indígenas clicando Aqui
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