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Xingu em luta: mulheres indígenas contra a mineração e pelo direito de existir
Xingu em luta: mulheres indígenas contra a mineração e pelo direito de existir

Xingu em luta: mulheres indígenas contra a mineração e pelo direito de existir

Por Gerlaine Araújo e Dayane Ferreira

Os povos indígenas do Xingu seguem, há quase um mês, em ocupação da sede da Funai em Altamira (PA) e do acesso ao aeroporto, em defesa da Volta Grande do Rio Xingu. O movimento, iniciado e liderado por mulheres indígenas, denuncia mais uma ameaça ao território: o avanço de projetos de mineração que desconsideram o direito à consulta e colocam em risco o futuro da região. Não é apenas sobre um empreendimento. É sobre o direito de existir em um território vivo, de manter relações que não separam rio, cultura e vida.

Reprodução/Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu

A Volta Grande do Xingu já carrega cicatrizes profundas deixadas pela construção de Belo Monte. Para os povos da região, o impacto não é abstrato: ele altera o curso das águas, compromete a pesca, afeta a alimentação, rompe dinâmicas espirituais e desorganiza modos de vida inteiros. Ainda assim, novas pressões seguem avançando. Povos como Juruna, Xikrin, Xipaya, Kuruaya e Arara denunciam a atuação da mineradora Belo Sun, acusada de tentar influenciar o licenciamento sem respeitar os processos coletivos de decisão, uma estratégia que fragmenta, enfraquece e ignora a autonomia dos territórios.

Foto: Mongabay

Essa resistência não começa agora. Ela carrega a memória de mulheres que há décadas enfrentam grandes projetos em defesa de seus povos. Como Tuíre Kayapó, que se tornou símbolo internacional ao encarar, com um facão em mãos, autoridades durante um encontro sobre a construção de hidrelétricas na Amazônia. Seu gesto não foi ameaça, foi afirmação de existência, de força e de limite. Como ela mesma disse:

Foto: Protássio Nêne/Estadão Conteúdo

“Meu corpo representa o facão, e o facão representa meu corpo, pois são uma única força. Uma força e uma luta. Uma história. Sou mulher, mas tenho a mesma determinação que um homem na hora da raiva. Tenho os mesmos direitos que um homem. Não tenho medo de nenhum homem. Não tenho medo de ninguém, pois possuo a mesma força que vocês representam ter.”

Hoje, essa mesma força segue viva nas mulheres do Xingu. Elas não estão apenas reagindo. Estão sustentando a continuidade. Estão dizendo, mais uma vez, que território não é recurso,  é vida, continuam na linha de frente, afirmando que proteger o território é proteger o futuro. Porque, para esses povos, o rio não é mercadoria, é memória, é sustento, é continuidade.

Fotos: @sos.tapajos e @thaigon_arapiun

Observatório Tucum

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