Foto: Sofia Lisboa
Mulheres indígenas em marcha em Brasília, na Semana do Clima em Nova York e nas mobilizações contra o Marco Temporal, que volta à pauta do STF hoje
A III Marcha das Mulheres Indígenas é uma mobilização nacional organizada pela Articulação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), debatendo pautas voltadas às mulheres originárias. Geração de renda, transmissão de saberes, arte, cultura, manejo de matérias-primas, pesquisa, salvaguarda do território, conhecimentos ancestrais, comunicação, políticas públicas estão entre as tantas frentes que contam com a força, a criatividade e a sensibilidade das mulheres indígenas.
O encontro, que contou com três dias de plenárias, discussões, apresentações culturais e vivências protagonizadas pelas guerreiras da ancestralidade, levou à Brasília mulheres, avós, mães e filhas de todos os biomas do Brasil para discutir a defesa da biodiversidade. Marcielly Tupari e sua mãe, a guerreira Leonice Tupari, da AGIR (Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia), a ativista e comunicadora Samela Sateré-Mawé e sua mãe, a artesã Regina Sateré-Mawé. Quem passou pelo Complexo da Funarte pôde ouvir as falas de guerreiras como Shirley Krenak, Watatakalu Yawalapiti, Simone Karipuna, Daiara Tukano, Chirley Pankará, Naine Terena, Francy Baniwa, Puyr Tembé e Djuena Tikuna entre outras tantas 6 mil mulheres que protagonizaram a III Marcha das Mulheres Indígenas. A Ministra Sonia Guajajara, a deputada Célia Xakriabá e a presidenta da Funai, Joenia Wapichana estiveram presentes ao longo das atividades, reiterando a importância do fortalecimento da bancada do cocar e de políticas públicas voltadas às mulheres e suas comunidades. Falas potentes vindas das ministras Anielle Franco e Marina Silva também destacaram o papel fundamental das mulheres indígenas na proteção da floresta em pé e da biodiversidade do planeta através de seus saberes ancestrais.
Guerreiras Kayapó na III Marcha das Mulheres Indígenas fazem manifestação na Esplanada dos Ministérios. Brasília, DF. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
No entanto, mesmo diante de tantas potencialidades, a violência segue sendo um tema que atravessa de alguma forma todos os outros. Todos os dias, corpos-territórios de mulheres, dentro ou fora de suas comunidades são violados, invadidos, silenciados, exterminados. A notícia da morte brutal de uma adolescente Karipuna, no Amapá, dias depois da Marcha mostra que a luta das mulheres é uma luta diária pela vida e que a violência praticada dia após dia contra precisa ter fim.
A denúncia do feminicídio contra a jovem Karipuna também foi feita na Semana do Clima de Nova York, onde se encontram várias lideranças do movimento indígena. Realizada todo mês de setembro junto com uma reunião da ONU, a Climate Week é uma prévia da Conferência das Partes (COP), onde todos os países do mundo debatem a política climática. Nesta edição, a presença em peso de povos originários mostra que os guardiões de mais de 80% da biodiversidade do planeta precisam ser ouvidos e que não pode haver justiça climática sem a preservação das vidas indígenas. Como disse o presidente Lula na Assembleia de abertura da ONU, em NY, “agir contra a mudança do clima implica pensar no amanhã e enfrentar desigualdades históricas e que agora, a Amazônia fala por si.”
Marco Temporal, não!
Enquanto parte das lideranças indígenas participa do evento em Nova York, a mobilização contra a tese do Marco Temporal segue firme nos territórios, nas cidades, nas redes sociais e na capital federal. A tese antiindígena e que passa por cima da Constituição Federal representa os interesses políticos e econômicos de setores ruralistas não somente sobre a vida de mais de 305 povos originários que salvaguardam a Amazônia e outros biomas, mas a vida de todos nós e do planeta.
O PL 2903 no STF volta à pauta hoje, às 14h. Por enquanto, com dois votos a favor e quatro contra o Marco Temporal, a votação de hoje é decisiva para o futuro dos povos indígenas do Brasil. Se aprovado, este Marco Temporal, que desrespeita os direitos originários das populações indígenas, coloca em risco milhares de famílias, territórios e vidas. Fortaleça a luta dos povos originários. Conheça suas criações, valorize suas narrativas, compartilhe suas lutas!
A ativista Samela Sateré Mawé. Foto: Jonatan Braz Cunha
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