Ocupação indígena contra hidrovia do Tapajós cresce e aumenta pressão por consulta prometida pelo governo
Alessandra Munduruku liderou ato em Santarém (PA) contra Cargill e Ferrogrão: ‘trilhos da destruição’ | Crédito: Leandro Barbosa/Amazon Watch
Desde 22 de janeiro, indígenas de povos do Baixo, Médio e Alto Tapajós ocupam o acesso ao terminal da Cargill, em Santarém (PA), em protesto contra a dragagem do rio Tapajós e contra o Decreto nº 12.600/2025, que incluiu mais de 3 mil quilômetros de rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização. O movimento já reúne cerca de 700 pessoas e denuncia a ausência de consulta livre, prévia e informada às comunidades, direito garantido pela Convenção 169 da OIT.
Dragagem sem consulta e riscos ao território
As lideranças afirmam que as obras de dragagem começaram antes da conclusão dos estudos ambientais e sem licenciamento adequado. Um edital do Ministério de Portos e Aeroportos prevê R$ 74,8 milhões para manutenção da hidrovia do Tapajós, mas povos indígenas e ribeirinhos alertam para os impactos sobre o leito do rio, a pesca, sítios arqueológicos, a soberania alimentar e os modos de vida tradicionais em municípios como Santarém, Belterra, Aveiro, Itaituba, Trairão e Jacareacanga.

Apesar de promessas anteriores, o governo federal ainda não realizou uma reunião presencial em Santarém, condição considerada indispensável pelo movimento. Um novo encontro é aguardado para esta quarta-feira (4), com mediação do Ministério Público Federal, que já emitiu recomendações sobre a necessidade de estudos ambientais e consulta às comunidades. O Ministério dos Povos Indígenas reconheceu publicamente que o Tapajós é “vida, território e memória” e que nenhuma iniciativa pode avançar sem consentimento livre, prévio e informado.
Falas das lideranças
“Não aceitamos qualquer negociação que não seja a revogação do decreto e a suspensão da dragagem do rio. Queremos que o governo sente com a gente pessoalmente, com pessoas que tenham poder de decisão”, afirmou Lucas Tupinambá, presidente do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA). Alessandra Korap Munduruku foi ainda mais direta: “Essa infraestrutura que está vindo não é espaço para a gente. É um projeto de morte para matar o nosso rio e os nossos locais sagrados. São projetos para tirar indígenas, ribeirinhos e pescadores do caminho.” Para as lideranças, tratar rios como corredores de exportação sem escuta real aprofunda conflitos e ameaça territórios vivos e não pode mais ser naturalizado. Fonte: InfoAmazonia
Indígenas participam ativamente das audiências públicas no TSE

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Pela primeira vez, indígenas brasileiros acompanharam audiências do TSE sobre as Eleições de 2026 com tradução simultânea em línguas originárias, ampliando a inclusão, a acessibilidade e a participação política. A iniciativa, com intérpretes de línguas como Tikuna, Yaathe, Kaingang e Línguas Indígenas de Sinais, foi elogiada por lideranças, que destacaram a importância da presença indígena nos debates para garantir representatividade, visibilidade e defesa direta de seus direitos no processo eleitoral.
Além disso, o TSE consolidou a distribuição proporcional de recursos do Fundo Partidário, do FEFC e de tempo de rádio e TV para candidaturas indígenas, nos mesmos moldes das candidaturas negras. Para representantes como Sansão Ricardo Flores, Cícero Brito e Hugo Fulni-ô, o avanço fortalece a democracia e amplia as chances de eleger lideranças indígenas capazes de representar suas comunidades e demandas em políticas públicas essenciais. Fonte: TSE
Novo PAC: Governo do Brasil autoriza construção de 117 escolas indígenas em 17 estados

Foto:Christiano Antonucci/Secom MT
O Governo Federal autorizou a construção e ampliação de 117 escolas indígenas em 17 estados, no âmbito do Novo PAC, fortalecendo a educação intercultural e respeitando a autonomia, os modos de vida e as identidades dos povos originários. A medida consolida a Política Nacional de Educação Escolar Indígena, instituída em 2025, e responde a uma demanda histórica por infraestrutura adequada nos territórios indígenas.
Os projetos foram pensados para se adaptar às realidades locais, considerando clima, logística e contextos socioculturais, com execução articulada entre União e estados e validação das lideranças indígenas. A seleção priorizou comunidades em maior vulnerabilidade, onde o ensino ainda ocorre em espaços improvisados, respeitando a organização dos territórios etnoeducacionais.
Além das escolas indígenas, o Novo PAC prevê a criação de cinco novos campi de Institutos Federais, a ampliação de unidades existentes e investimentos em universidades federais, somando bilhões em recursos. As ações incluem construção e modernização de estruturas acadêmicas, moradias estudantis, laboratórios e equipamentos, fortalecendo a educação pública em todos os níveis no país. Fonte: Agência Gov
Lideranças Yanomami e Ye’kwana lançam filme sobre ‘A Carta de Surucucu’ e avaliam ação emergencial

Foto: Erik Vesch/Cama Leão/ISA
As lideranças Yanomami e Ye’kwana lançaram um minidocumentário sobre o VI Fórum de Lideranças, realizado em novembro de 2025 na região de Surucucu, que reuniu mais de 550 indígenas e resultou na Carta de Surucucu. O filme traz depoimentos de nomes como Waihiri Hekurari, Davi Kopenawa, Júlio Ye’kwana e Carlinha Lins, destacando a força política do encontro e as principais reivindicações dos povos da Terra Indígena Yanomami.
O lançamento ocorre no contexto de três anos de emergência em saúde no território, decretada após a crise humanitária provocada pelo garimpo ilegal. As lideranças reconhecem avanços do governo federal, como operações de desintrusão, mas alertam que a situação segue grave, especialmente com a alta incidência de malária. “Nós fizemos uma carta com a voz do nosso povo, uma flecha forte”, afirma Waihiri Hekurari. Davi Kopenawa reforça: “Nós esperamos mais, ele não pode abandonar e pensar que já resolveu”.
A Carta de Surucucu cobra fortalecimento da proteção territorial, avanço nas investigações contra garimpeiros e financiadores, ampliação das bases da Funai e melhorias urgentes na saúde, com foco em diagnóstico rápido da malária. Também reivindica educação diferenciada, bilíngue e intercultural. “Os jovens nos cobram por ajuda na educação, é o principal pedido”, destaca Júlio Ye’kwana. Fonte: ISA